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TARÔ
 
 

O que representam as cartas do Tarô (denominadas de Arcanos = segredos)? O que as faz diferentes das cartas comuns? Elas podem realmente predizer o futuro? Qualquer pessoa pode aprender a interpretá-las? Estas são apenas algumas das muitas perguntas que o público leitor e curioso costuma fazer em relação ao misterioso sistema “divinatório” conhecido como Tarô.

 

Centenas de autores debruçaram-se sobre essa questão, mergulhando na história do Tarô, no seu significado simbólico, nas suas ligações com outras doutrinas ditas ocultas, como a Astrologia, a Cabala, a Alquimia, a Numerologia, etc., bem como nas maneiras como é utilizado para lançar luz sobre o passado, o presente e o futuro. A pesquisa continua e, nos dias de hoje, tende a aumentar, pois os investigadores sérios já podem utilizar, além das abordagens tradicionais de tipo esotérico, também as ferramentas da moderna mitologia, da parapsicologia, da simbologia e, sobretudo, da psicologia arquetípica estruturadas por Carl Gustav Jung e seus seguidores

 

A origem do Tarô é desconhecida, embora existam muitas suposições a respeito. Costuma-se atribuí-la a fontes egípcias, chinesas ou indianas, e uma teoria muito difundida, divulgada nos tempos modernos pelo ocultista francês Papus (Dr. Gérard Anaclet Vincent Encausse – 1865/1916), que afirma que o Tarô foi introduzido na Europa pelos ciganos originários da Ásia Central. Mas não existe evidência real disso.

 

O certo é que o Tarô é um todo maravilhoso, é o pai dos nossos jogos de cartas e a sua origem perde-se na noite dos tempos.

 

Desde a época em que surgiu e se popularizou, o Tarô é conhecido principalmente como um sistema de adivinhação, um passatempo ou distração. Da mesma forma que existem muitas versões quanto à origem do Tarô, também existem muitas interpretações sobre o seu real significado. Isso motivou a criação de um sem-número de versões gráficas das cartas, cada uma delas de autoria de um dito “ocultista”, ou grupo de “ocultistas”, mais ou menos gabaritados. Pela mesma razão, nenhum intérprete do Tarô pode reivindicar a posse da chave definitiva para a sua interpretação. Como acontece com todos os sistemas esotéricos de conhecimento – a Astrologia, por exemplo – é impossível agarrar-se, de maneira completa, ao significado de cada um dos Arcanos e do seu conjunto. Tal como as grandes figuras da mitologia universal, cada Arcano aparece carregado de simbolismo subjetivo. Esse simbolismo é o fator mais importante do “jogo”, pois ele fala uma linguagem que emerge da mente coletiva do homem. Suas cartas apresentam figuras, desenhos, signos e sinais de significado simbólico de tipo quase sempre universal. Foi exatamente esse aspecto fundamental que atraiu para o Tarô as atenções de muitos investigadores sérios, donos de sólido embasamento científico, como Carl Jung.

 

A igreja, por seu turno (como sempre), contemplava a prática como pagã e associada às coisas do demônio. Reprimiu-a ferozmente, proibindo todo e qualquer estudo ou prática relacionada àqueles temas “hereges”. Mas, como sempre, tudo que é ou era proibido pela igreja, deve ser ou é bom. O Tarô submergiu vigoroso no início do século 20 e hoje, início do século 21 já pode ser encontrado em mais de 100 versões, sendo algumas de representações híbridas, influenciadas por absolutamente tudo, desde o pensamento cabalístico até as lendas da Távola Redonda, assim como o ridículo tarô erótico.

 

Tarô é coisa séria! É um trampolim para mergulhar em profundidade no inconsciente. Num momento histórico em que os processos que estabelecem a ponte consciente-inconsciente aparecem como a grande alternativa para substituir o homem da grande crise filosófica e psicológica que submerge a humanidade, o Tarô merece ser considerado de forma muito mais séria.

 
 
 

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